A última doninha pelada da Dakota do Norte
Artigos com o marcador vergonha alheia
Sou easy crowd, mas não força…
17/03/10
Eu me mato de rir com piada óbvia, depois de adulto passei a achar graça no Chaves e desde criança nunca suportei os Trapalhões. Naquela época, o Chico Anysio sabia ser engraçado e o Jô Soares era humorista, e não um chato de galochas.
É por isso que hoje não consigo entender onde foi parar o humor nacional, não consigo imaginar nada mais sem graça do que Zorra Total ou o programa que não lembro o nome, do Didi (que é um Jô Soares enrustido, na minha opinião). Só consegui assistir um programa do Zorra inteiro por estar na casa do meu irmão numa noite em que ele assistia com a esposa.
Sabe quando você fica com aquela cara de paisagem depois de um esquete? Eu simplesmente não conseguia entender a graça, as supostas piadas não passavam de comentários preconceituosos e estereótipos. Isso até que era válido quando o Chico Anysio fazia, era outra época, outro contexto, e por mais que soasse preconceituoso, não era gratuito. Há poucos dias, ganhei de presente um box com a série completa do Little Britain, que segundo um amigo, não passa de um Monty Python wannabe, mas depois de assistir todos os episódios e os 2 DVDs de extras (box gringo sempre me dá raiva de box .br, cadê os extras dos DVDs de House? Cadê os extras do Friends) com o programa ao vivo, virei fã. Falta aqui a capacidade de rir de si mesmo, satirizar os próprios costumes ao invés de procurar expor os defeitos do outro. Falta humildade ao Didi. Falta algum diretor ter bolas pra botar no ar uma nova “TV Pirata”. Sem saudosismo, mas o humor televisivo brasileiro está moribundo desde a morte do Barbosa…
E o Oscar vai para…
08/03/10
Já fui daqueles que fica acordado a madrugada toda pra ver a entrega do Oscar até a final. Daqueles que reúne os amigos para assistir juntos, faz maratona pra ver os concorrentes antes e bolão pra ver quem ganhou. Já aguentei muita piada sem graça do Billy Cristal e tradução simultânea ruim. Já aguentei até a transmissão quando foi no SBT. Cansei… Faz alguns anos que não acompanho mais a cerimônia. Não só a festa perdeu a magia como o próprio prêmio perdeu o valor. Confesso que nem lembrava que era hoje, só mudei de canal e pus na transmissão porque o Beto me ligou e disse que estavam passando um vídeo de homenagem aos filmes de terror. Deu tempo de ver a homenagem, e no prêmio seguinte, ver o vencedor do prêmio de edição de som subir ao palco com o cabelo que homenageia o Dr. Brown, de “De Volta para o Futuro”.
Como não tenho mais tv à cabo, ainda ganhei a pérola da comentarista da globo apresentando Elizabeth Banks como atriz de 30 Rock (… ao lado de Alec Baldwin, nas palavras da desvairada). Bem… Elizabeth Banks fez uma participação especial de uns 5 minutos em um único episódio da quarta temporada, mas, tudo bem, já estou voltando à minha programação normal e deixando o Oscar e a Globo para trás. Ah, ela também anunciou o ator do filme “Se beber não se case”. E o José Wilker é tão pedante, tão “intelectualóide” que deveria estar apresentando o Oscar na revista “Caros Amigos” e não na TV aberta. Afe… chega de Oscar, vou assistir Family Guy que me divirto mais…
Estagiários nas redações
25/01/10
Aqueles que, como eu, adotaram o hábito de ler os jornais online, não devem ter deixado de notar que o dinamismo das atualizações tem seu preço. As notícias passaram a chegar mais rapidamente, e o preço a ser pago por isso é aguentar a falta de revisão nos textos e erros que raramente passariam por uma redação mais rigorosa.
Lendo o G1 hoje, numa matéria sobre jovens desaparecidos em Goiás, vejo o parágrafo seguinte: “A Polícia de Goiás já investigava o caso de cinco jovens que começaram a desaparecer a partir do dia 31 de dezembro do ano passado.”. Podem até dizer que sou chato, mas o parágrafo dá margem à interpretações surreais, como se os jovens estivessem se tornando invisíveis. Desapareceram e o primeiro desaparecimento foi no dia citado. Começaram a desaparecer é outra coisa.
Enquanto isso, no R7, a chamada para a matéria dizia: “Furo de reportagem: Traje de atleta inglesa de bobsled rasga justamente no forévis”, e no conteúdo, a pérola “Quando foi sua vez de encarar a pista ao lado da companheira Nicola Minichiello, o traje dela rasgou de cima a baixo nos fundilhos no momento em que Cooke se mostrava pronta para descer a ladeira.”. Algo que na minha época de ginásio teria merecido caneta vermelha de cima a baixo.
Mais vergonha alheia
09/11/09
No país da Uniban, cada dia que você lê as manchetes locais de qualquer cidade, tem que estar preparado para sentir uma dose cavalar de vergonha alheia. E o tópico medonho do dia é o concurso “Garota da Laje 2009″, promovido no Rio de Janeiro pela rádio Saara e contando com 150 concorrentes.
A manchete da edição regional RJ do G1 de hoje dizia:
‘Garota da Laje 2009’ diz que põe sal na piscina para se bronzear
Adriana Leão ganhou um Fiat Uno do ano de 2001.
Os outros prêmios do concurso foram uma piscina de fibra para a segunda colocada e um “kit laje” com material de construção para uma laje de 30 metros quadrados, para a terceira colocada.
Pior que isso, só o concurso “Alcione paga sua conta de luz”, também de uma rádio do RJ.
‘Tomo muito suco de cenoura’, afirmou ela.
Banana pra você
16/09/09
Esse não é um blog político, nunca falei de política aqui, mas hoje sou obrigado a abrir uma exceção para comentar que nunca vi um governo com mais falta do que fazer que o governo de São Paulo.
Não gosto do Lula, nunca fui fã do PT, mas agora imagino que se o Serra tivesse ganho para presidente, estaríamos numa situação ainda pior do que a que vivemos hoje. Com tanta coisa para se preocupar num estado do tamanho de São Paulo, o nosso governador se preocupa com a venda de bananas. Enquanto vemos as favelas chegando às nossas portas, o Serra lança uma lei proibindo a venda de bananas por dúzia. Fala sério. Ou melhor, nem o próprio se leva a sério, quando perguntado sobre a adaptação do consumidor à novidade:
“O governador lembrou os tempos em que ganhava a vida vendendo frutas e passou por esse tipo de “problema”. “Eu já vendi fruta na vida e era por unidade, mas dependia do tamanho. No caso da banana, há muita heterogeneidade. Você vai pagar segundo o volume, o peso da banana que está comprando”, contou Serra, rindo da pergunta sobre a nova lei.”