A última doninha pelada da Dakota do Norte
Artigos com o marcador mundo eu
Sou easy crowd, mas não força…
17/03/10
Eu me mato de rir com piada óbvia, depois de adulto passei a achar graça no Chaves e desde criança nunca suportei os Trapalhões. Naquela época, o Chico Anysio sabia ser engraçado e o Jô Soares era humorista, e não um chato de galochas.
É por isso que hoje não consigo entender onde foi parar o humor nacional, não consigo imaginar nada mais sem graça do que Zorra Total ou o programa que não lembro o nome, do Didi (que é um Jô Soares enrustido, na minha opinião). Só consegui assistir um programa do Zorra inteiro por estar na casa do meu irmão numa noite em que ele assistia com a esposa.
Sabe quando você fica com aquela cara de paisagem depois de um esquete? Eu simplesmente não conseguia entender a graça, as supostas piadas não passavam de comentários preconceituosos e estereótipos. Isso até que era válido quando o Chico Anysio fazia, era outra época, outro contexto, e por mais que soasse preconceituoso, não era gratuito. Há poucos dias, ganhei de presente um box com a série completa do Little Britain, que segundo um amigo, não passa de um Monty Python wannabe, mas depois de assistir todos os episódios e os 2 DVDs de extras (box gringo sempre me dá raiva de box .br, cadê os extras dos DVDs de House? Cadê os extras do Friends) com o programa ao vivo, virei fã. Falta aqui a capacidade de rir de si mesmo, satirizar os próprios costumes ao invés de procurar expor os defeitos do outro. Falta humildade ao Didi. Falta algum diretor ter bolas pra botar no ar uma nova “TV Pirata”. Sem saudosismo, mas o humor televisivo brasileiro está moribundo desde a morte do Barbosa…
Personal Rubem Fonseca
19/08/09
Hoje descobri que tenho um ghost-writer escrevendo minha autobiografia não-autorizada, repleta de detalhes sórdidos e afirmações improvadas. Não sei se forneço material para o livro e aproveito a promessa de fama, se tento desmentir as histórias infames ou se simplesmente reconheço que tal empreitada não atingirá o sucesso.
Enquanto isso, vamos seguindo a vida besta.
Porcaria de Férias ou Férias do Porco?
16/08/09
Finalmente me recuperando das férias forçadas provocadas pela gripe suína, passei uns dias na cama e ainda estou em quarentena, sem sair de casa para não levar o virus para fora e com visitas somente da mamãe e do papai. Nesse meio tempo, me converti à Igreja Universal e encontrei a salvação, agora, com a corrente dos 40 pastores ao meu lado, não preciso nunca mais me preocupar com outro vírus, doença ou fatura de cartão de crédito, porque o pastor me falou que junto com a cura também vem a prosperidade.
Ok, ok, de tudo o que disse até agora, a única coisa que é verdade é a parte da gripe do porco e a quarentena. Pelo menos, minha mãe me trouxe chuleta, batatas-fritas e um escondidinho de carne-seca sensacional. Estou aproveitando esse repouso forçado para me atualizar com os filmes e séries, gibis e outras amostras da cultura pop que alimentam meu reservatório de assuntos para a mesa de bar.
Falando nisso, hora de voltar para a TV… depois faço os mega resumos de tudo o que vi que mereça ser comentado. Saudades de todos…
Banheiro público
25/07/09
Aí você faz uma pequena pausa para manutenção, se levanta de sua mesa no bar, vai até o banheiro e dá uma mijadinha. Geralmente eu não me preocupo com o tipo de torneira ou sabonete que encontrarei para lavar as mãos após “o ato”, pode ser torneira automática, com pouca ou muita pressão, sabonete líquido, sabonete em espuma, até em pó dá pra encarar. O que realmente me preocupa é enxugar as mãos.
De uns tempos para cá, cada vez mais banheiros públicos passaram a desprezar o bom e velho papel descartável e instalaram aquelas máquinas de tortura medieval inúteis: os secadores automáticos. Alguns acendem um anúncio, geralmente é o anúncio de “Anuncie aqui”, mas uma vez, num pub aqui em SP, apareceu uma loira peituda em pose sexy, com um balãozinho daqueles de quadrinhos sobre a cabeça, onde se podia ler: “Anuncie aqui”. É… envelope diferente, mensagem igual.
Mas o negócio é que já perdi a conta de quantas vezes saí esfregando as palmas na calça, depois de encarar a frustração de tentar vencer o secador automático. Falando sério, não sei qual é a dessa máquina. Você para na frente dela e estende as mãos. Primeiro, tem que ficar mexendo os braços como um tonto até achar a posição que dispara o sensor e aciona o jato de ar quente. Se você sair dessa exata posição, a porcaria se desliga, mas não tem como não sair da posição, pois é essencial esfregar uma mão na outra para a máquina fazer efeito.
Efeito… Que efeito? Depois de meia hora esfregando as mãos na frente do secador de cabelos gigante, seus braços viraram dois gravetinhos queimados, pretos, mas ainda gotejando. O secador te queima, mas não te seca! Até você cansar, desistir e esfregar a mão na calça enquanto volta para a sua mesa. Queimado e molhado…
O amigo chato
23/06/09
Tenho um círculo de amizades do qual me orgulho muito. Não falo apenas de confiança e companheirismo, mas sim, do orgulho que tenho de cada um desses amigos, por motivos diversos. Sem generalizar, cada um se destaca por alguma característica, enquanto todos tem em comum a cultura e a inteligência.
É, parece algo meio nerd quando digo que todos os meus amigos são inteligentes, mas vendo a turma reunida, essa impressão desaparece instantaneamente. O Anselmo é o engraçado, sempre com os melhores comentários e piadas. O Deixa é o amigo “Red Bull”, sempre pronto para qualquer situação, além de ser o cara mais sincero do mundo. Pavão é o criativo, o cara que coloca as engrenagens da turma para rodar. A Sapha é a produtora, organiza tudo, está sempre presente e faz tudo acontecer. Esses são apenas alguns exemplos, não querendo esquecer ninguém, pois tem muito mais gente que eu gosto muito.
Mas, hoje eu quero falar de um outro tipo de amigo, aquele que eu acho que todo mundo deveria ter um: o amigo chato. Mas não qualquer chato, afinal, existem diversos tipos e alguns são irritantes, enfadonhos, malas. Esses não vale a pena ter por perto. O amigo chato a que eu me refiro é aquele cara crítico, que te desafia, te contraria, te faz pensar e argumentar. Sempre tem uma novidade com um ponto de vista polêmico. Sarcasmo sempre à mão, é o seu nemesis. Um Dr. House te irritando e te empurrando caminho adiante.
Nesse último fim de semana, encontrei o Raul. Ele é o meu amigo chato. Nunca dispenso uma oportunidade de encontrá-lo, até porque ele se mudou de São Paulo e não é todo dia que da pra vir de Recife só pra bater um papo e tomar uma cerveja. Andamos pela Paulista, fomos a um pub, bebemos. E no meio da madrugada, estamos passando em frente à Onofre e discutindo, fazendo uma comparação entre Bukowski, Thompson e Nelson Rodrigues. Cinco minutos depois, estamos falando de Seinfeld. Putz, nunca me imaginei dizendo isso, pois achava que só era legal ter amigos legais, mas agora eu sei que é muito legal também ter um amigo chato.