A última doninha pelada da Dakota do Norte
Papo de boteco
Almodóvar encontra Tarantino
30/08/10
inspirado pelo post que acabei de ler no blog da @sapha, resolvi escrever um pouco mais sobre nosso happy hour no Pepper’s Bar, o mexicano mágico. Encontrar esse povo é garantia de muita risada, novas piadas e reciclagem das “Melhores de Sempre”, muita cerveja e mais comida do que cerveja. Amigos desde 1900 e Dercy Gonçalves, aos poucos fomos vendo a quantidade de comida que pedimos ultrapassar a quantidade de bebida na mesa. Na época de faculdade, male male uma porção de fritas ou coxinhas e hoje em dia, bom, nosso peso fala por si só…
O negócio já começou engraçado ao combinar o bar com a @sapha no msn, pra não ficar muito longo e preservar a privacidade dos envolvidos, vou citar apenas alguns trechos da conversa:
16:11:36 @ricz: e no outback do center norte?
16:11:38 @ricz: hahahahahahahaa
16:13:54 angelica: hummmmmmmmm
16:13:56 angelica: adoooro
16:14:21 angelica: é que no outback e afins agora tá cheeeeeeeio de adolescentes
16:14:58 @ricz: é verdade///
16:15:04 angelica: a última vez tinha uma lista de espera e eu era a de nª 81
16:17:37 angelica: a ultima vez q fui no analia, tinha um monte de menininhas, todas montadas, cheeeeia de maquiagem
16:17:44 @ricz: credo
16:17:45 angelica: parecia concurso de traveco mirim
…
16:20:10 angelica: olha isso:
16:20:11 angelica: http://www.pepperscafebar.com.br/
16:20:46 @ricz: México e mágica??
16:20:56 angelica: super a be5r
16:20:57 angelica: ver
16:21:01 @ricz: Homens 8, Damas 6
Bom, o papo continuou mais um pouco, mas corta para o bar. Chegando próximo, ligo para a Sapha para confirmar o local, ela me diz que é embaixo de um sex shop, eu entendo pet shop, mas acho assim mesmo. Entro e dou de cara com um lugar que os críticos muuudeernos da Vejinha descreveriam como “Tarantino e Almodóvar se encontram na decoração do aconchegante bar…”. A foto abaixo já diz tudo sobre o visual do lugar:
A Sapha descreveu os pratos com mais glamour, mas pra simplificar, vamos dizer que tinha pizza de feijão!
No telão, uma seleção de clipes “daquela” época, que renderam alguns comentários como:
“… mas o Richarlysson é praticamente idêntico ao Michael Jackson na época do Thriller” – Pavão
“O Rod Stewart, bom, o Rod Stewart é mais ou menos o que acontece quando você pega o David Bowie e envia pra alguém por fax. O que chega lá do outro lado é o Rod…”- Eu
Enquanto decidíamos o que comer, o garçom nos apresentava a incrível promoção da cerveja X, que não lembro o nome, mas na compra de uma, você ganhava outra igual. O detalhe é que essa “uma” custava vinte contos. Aliás, tá aí uma coisa que não entendo nos restaurantes mexicanos de São Paulo. Sabemos que o México não é um país rico, sabemos que a comida é simples, mas os caras daqui insistem em cobrar numa tigela de doritos com feijão, pimenta e abacate o que cobrariam se tivessem servindo foie gras e trufas brancas de Alba. Vai entender…
Amigos com trilha sonora
25/08/10
Sabe aqueles padrões que vemos na maioria dos sitcoms americanos, onde alguns personagens tem chavões que repetem em todos os episódios e os principais tem uma música tema, que toca quando eles entram em cena? Apesar de muitas vezes, ao assistir, penso que algo assim é impossivelmente falso, a parte da música tema acaba tendo uma certa parcela de realidade.
Não, eu não fiquei maluco, é que algumas vezes, vivemos algum momento marcante ao lado dos amigos e se tem alguma música tocando nesse momento, a gente acaba por gravar isso na memória e sempre que ouve essa música, dispara aquele gatilho mental e a lembrança pula num pop-up bem na sua cabeça. “Other side”, do Red hot Chili Peppers é o meu exemplo mais forte. Na época em que a Loca era uma balada onde você conseguia entrar, se mexer lá dentro e encontrar espaço na pista para dançar, fomos, eu, a @sapha e o @fabiofleury78 para o Grind, projeto de rock que rolava aos domingos. Naquela noite, a balada estava tão vazia que olhando para a pista, você só veria os três, dançando “Other Side” como se estivessem no La Bamba do Playcenter. Tanto que, mesmo a @sapha tendo adotado oficialmente o Pearl Jam como banda do coração, a música tema dela é essa do Red Hot, na versão sitcom da minha vida. Como California Dreamin é a versão do Kid (@pellim), depois da gente ter cantado juntos num karaokê na frente de centenas de pessoas em um evento no Anhembi.
Algumas vezes, você nem precisa estar presente no momento para gravar o tema na cabeça, como quando fazemos piadas com uma música que irrita a pessoa. Já faz umas duas semanas que não posso nem pensar em “The Final Countdown”, do Europe, que a @claudiagiane me vem na cabeça. Desde que @O_Raul começou com isso no twitter, imagino ela correndo do “tururu tu tururu tutu”…
Ecochatice
12/08/10
Sério mesmo, não aguento mais ouvir o termo “sustentabilidade” e derivados. Enquanto meia dúzia de gente faz um trabalho sério e tem o que não podemos mais chamar de “consciência ambiental”, milhares tentam ganhar fama, fortuna ou ambos em nome de “um futuro melhor para os nossos filhos”.
Muito tempo passou desde os anos 70, quando o Greenpeace ainda podia usar “peace” no nome e hoje todo mundo quer levar uma fatia desse bolo. O próprio Patrick Moore, co-fundador do grupo, saiu ainda em 1986, alegando que tudo havia se tornado política e os membros da diretoria do grupo não tinha nenhuma formação científica. É, isso mesmo, científica. Porque pra muito ecochato que tem por aí, o negócio é protestar e fazer barulho, não importa se o protesto tem algum fundamento.
Tenho uma prima que é bióloga, uma pessoa capacitada a analisar certos aspectos de impacto ambiental, e diversas vezes, enquanto a gente conversava, ela me mostrou problemas causados por ações inconsequentes de “ambientalistas’. Todo fanatismo é cego e leva a exageros.
Resolvi falar disso porque acabei de receber um SPAM me convidando para conhecer a “programação de “vanguarda do ramo” do Cine-clube Socioambiental Crisantempo. Gostaria muito de mandar à merda esse monte de bicho-grilo que pensa que ainda está em Woodstock, mesmo sem nunca ter ido. Olha só um trecho da sinopse de “2012 – Tempos de Mudança”, em cartaz nesse cine hippie: “Depoimentos sobre experiências com meditação, ayahuasca, projetos sustentáveis, contracultura, expansão da consciência”. Alô, você que pensa que é filho da Janis Joplin, tomar Daime e meditar não tem nada a ver com preservar o meio ambiente. Natureza não é só maconha, bicho!
Pra fechar o convite com chave de ouro, eles avisam que “após a exibição e conversa com diretor teremos Dj Ben e Dj Smurf + ECO-DRINKS”. Só isso já é suficiente para provar o meu ponto de vista e mostrar a banalização da ecologia: O QUE RAIOS É UM ECO-DRINK??? ECO DRINK??? Como posso levar a sério essa gente?
Aí, vem o SWU, prometendo ser o Woodstock do século 21. Trocentas bandas numa fazenda em Itu misturadas com umas palestras ou algo do tipo, que só aqueles hippies que frequentam o “Cine-clube Socioambiental Crisantempo” vão assistir. Dizem que é pela sustentabilidade, mas nem vou comentar sobre preço. A minha crítica é que “sustentabilidade” tá sendo usada até pra desde ingresso de show até telefone celular. Tem computador sustentável, tem até um copo plástico descartável de vinho sendo vendido sob esse argumento. Alô, você que compra copo de vinho descartável, o problema não é nem ser brega, é que plástico não é ecológico. E que você acreditou nesse argumento de venda porque “tá na moda esse negócio de meio ambiente”. Só não tá na moda raciocinar, né??
Falando em sustentabilidade, olha a incrível dica que está hoje na capa do site do festival SWU: “Imprima nos dois versos da folha. Já pensou o quanto dá pra economizar assim?”.
Ser “cult” ou, o guia do metido a besta
10/08/10
Todo mundo conhece alguém que é metido a “cult”, “alternativo” ou outro título do tipo. O tempo passa e os títulos mudam, mas o comportamento metido a besta geralmente permanece o mesmo. Geralmente envolve gostar de algo obscuro e “inacessível” ao grande público, e logo quando o objeto de adoração cai no gosto geral e vira moda, passar a dizer que “se tornou comercial”, “se vendeu para o sistema” ou algo que o valha.
Nesse contexto, o importante mesmo é citar, com ar blasé, algo que os outros farão cara de “uatarrel?”, para em seguida explicar com propriedade o que torna aquilo único e especial. Vale pra filmes, livros, música e aquele “lugarzinho” exclusivo. O lugarzinho é um caso à parte, um bar “muqueado” em algum canto da Barra Funda ou da periferia de Londres, que ninguém conhece, mas que tem uma atmosfera particular cheia de magia e exclusividade. A localização do lugarzinho é revelada em tom de segredo conspiratório, como se fosse a maçonaria dos cult, e depois de alguma insistência, quando a turma toda vai conhecer o local, é o boteco mais fuleiro, frequentado pelo povo mais esquisito e tocando as músicas mais bisonhas. Aí, o amigo “cult” diz: Que droga, estragaram o lugar, agora tem vindo gente que não tem nada a ver com a proposta do ambiente.
Outro detalhe importantíssimo é falar mal de qualquer filme de muito sucesso. Esse tipo de filme sempre é um insulto à inteligência (não sei de quem) e é muito melhor e mais cultural acompanhar o circuito alternativo no Espaço Unibancool da Augusta. Esse é o momento para lembrar daquele filme iraniano onde duas garotinhas sentadas num tapete no meio do deserto passam duas horas rolando uma pedra de uma para a outra, enquanto ao fundo é cantada uma poesia em árabe. É importante também comparar com os grandes monstros do cinema francês, falar de Kurosawa e apontar que “há talentos promissores despontando na cena boliviana”.
O modo de vestir também vai dizer muito sobre você. Crocs nos pés, calça de grife cuidadosamente produzida para parecer que é usada desde o século passado, contrastando com camisetas compradas nas lojas de marcas descoladas de novos estilistas despontando no mercado, com dizeres engraçadinhos, sátiras de marcas de consumo ou de símbolos da cultura pop e uns bordados enormes ou coisas brilhantes coladas assimetricamente.
A comida japonesa é o hours concours do seu estilo. É fundamental dizer que “descobriu um japonês fantástico” e mesmo que você não suporte peixe, o sushi de lá é insuperável.
O mais importante, não se prenda à nomes já consagrados no cliché de “cult”. Não basta dizer Bauhaus, Belle & Sebastian, Espaço Unibanco. Não basta dizer que Radiohead fala diretamente à sua alma, o importante mesmo é ser do contra, seguir em busca da música que ninguém ouve, dos filmes que ninguém vê e mesmo não gostando de nada disso, convencer a todos que você acha melhor do que as coisas que eles curtem.
Combate à pirataria: público alvo #fail
16/07/10
Quem tem filhos, sobrinhos, trabalha como babá ou simplesmente gosta de filmes infantis, com certeza já passou por isso e deve ter pensando o mesmo que eu. Primeiro pensamento: Sim, os filmes “infantis” e animações dos últimos anos tem sido muito melhores do que os lançamentos para adultos e público geral. Basta lembrar de Wall-e ou Monstros S/A, só para citar dois exemplos. Mas o segundo pensamento é o que você tem quando compra aquela aguardada edição especial…
Vamos lá, você coloca o DVD no aparelho e tenta fingir que não está mais ansioso que seu sobrinho para assistir o filme. Você comprou na pré-venda, edição especial dupla em lata personalizada ou qualquer outra firula que o valha e agora encara a tela com os olhos brilhando enquanto o logo da “Disney DVD” se ilumina na tv. Dane-se o logo, vamos logo para o filme. Você clica no botão de menu e aquele ícone de “operação proibida” aparece na tela. – Veja os incríveis lançamentos que a Disney DVD Home Entertainment Pictures Corporation Blablabla preparou especialmente para você – diz a narração, enquanto apresenta as cenas da remasterização de “A Bela Adormecida” de 1921. Já começando a se irritar, você aperta “stop” no controle remoto, na esperança de que, ao apertar o “play” novamente, o disco vá direto para o menu, ou ainda melhor, na esperança de que o filme comece.
Mas que surpresa, o logo acende novamente na tela e a apresentação dos trailers começa do zero novamente. Seu sobrinho já desencanou e foi brincar com o cachorro, te abandonando em meio aos intermináveis comerciais que serão vistos e revistos a cada vez que botar esse DVD pra tocar.
Depois de cerca de 11 minutos, pouco antes de receber a “permissão de acesso” ao menu do DVD, vem aquele comercial dos IDIOTAS da APCM te dizendo que pirataria é crime, que comprar DVD pirata é roubo. VAI PARA O INFERNO, APCM! Se eu tô vendo esse comercial no DVD original, é porque comprei ou aluguei o original. E se eu tô vendo a porcaria do disco original (que não me deixa pular esse comercial e que não me deixa pular o trailer) é porque eu não comprei o disco pirata. Esse comercial tem que passar na TV, no cinema, mas não na porcaria do DVD original!
E nesse exato momento que eu penso que, no disco pirata, eu já teria visto 15 minutos do filme, junto com meu sobrinho que agora estaria quietinho e prestando atenção, e não correndo pela casa e gritando junto com o cachorro e me impedindo de prestar atenção no filme, que finalmente vai começar….