A última doninha pelada da Dakota do Norte
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Quantos documentos?
11/04/10
Daí que meu passaporte está para vencer. Segundo o site da polícia federal, não há renovação, é necessário solicitar um novo e apresentar novamente todos os documentos e eu não faço a menor idéia de onde foi parar o meu título de eleitor. Irônico é que o título não é necessário para votar, você pode apresentar só o RG. Mas é necessário para tirar o passaporte, mesmo você tendo seu passaporte vencido à mão e os comprovantes de que você votou nas últimas eleições.
Não vou nem entrar no mérito da obrigatoriedade do voto, que por sinal é já algo bastante democrático, pois você não tem a opção de votar, mas sim a obrigação. A questão é: quantos documentos uma pessoa comum precisa para provar que é ela mesma? Temos RG, CPF, carteira de trabalho, cartão do PIS, certificado de serviço militar, cartão do cidadão, passaporte, título de eleitor, é de perder a conta. Não seria mais fácil e organizado ter um único número que registraria todas as suas informações? O mais legal é que para cada um dos documentos você tem que ir em um lugar diferente com uma fila diferente, e a maioria não dá pra tirar pela internet e você tem que ir pessoalmente em horário comercial… pra completar minha felicidade, não há previsão de disponibilidade agendamento para comparecer à policia federal e fazer o novo passaporte. Minhas férias estão chegando e eu to prevendo que vou ser obrigado a ficar por aqui… Hunf…
Sou easy crowd, mas não força…
17/03/10
Eu me mato de rir com piada óbvia, depois de adulto passei a achar graça no Chaves e desde criança nunca suportei os Trapalhões. Naquela época, o Chico Anysio sabia ser engraçado e o Jô Soares era humorista, e não um chato de galochas.
É por isso que hoje não consigo entender onde foi parar o humor nacional, não consigo imaginar nada mais sem graça do que Zorra Total ou o programa que não lembro o nome, do Didi (que é um Jô Soares enrustido, na minha opinião). Só consegui assistir um programa do Zorra inteiro por estar na casa do meu irmão numa noite em que ele assistia com a esposa.
Sabe quando você fica com aquela cara de paisagem depois de um esquete? Eu simplesmente não conseguia entender a graça, as supostas piadas não passavam de comentários preconceituosos e estereótipos. Isso até que era válido quando o Chico Anysio fazia, era outra época, outro contexto, e por mais que soasse preconceituoso, não era gratuito. Há poucos dias, ganhei de presente um box com a série completa do Little Britain, que segundo um amigo, não passa de um Monty Python wannabe, mas depois de assistir todos os episódios e os 2 DVDs de extras (box gringo sempre me dá raiva de box .br, cadê os extras dos DVDs de House? Cadê os extras do Friends) com o programa ao vivo, virei fã. Falta aqui a capacidade de rir de si mesmo, satirizar os próprios costumes ao invés de procurar expor os defeitos do outro. Falta humildade ao Didi. Falta algum diretor ter bolas pra botar no ar uma nova “TV Pirata”. Sem saudosismo, mas o humor televisivo brasileiro está moribundo desde a morte do Barbosa…
Stranger in a strange land
20/10/09
Daí que decidimos sair de Hong Kong e cruzar a fronteira para a mainland. Hong Kong é considerada uma área administrativa distinta da China, o que eles chamam de “um país, dois sistemas”, enquanto a mainland compreende toda a parte continental.
Pegamos o metrô em North Point, bem ao lado do hotel, e seguimos até Lo Wu, a estação de trem que dá acesso à Shenzhen. Mais uma alfândega e mais um posto de imigração. Preenche formulário, tira a temperatura e atravessa para o lado comunista da China. É como se a gente tivesse cruzado para outro mundo. Tudo é diferente de Hong Kong, a mão inglesa nas ruas se mistura com a normal, todas as placas sem tradução para o inglês e ninguém entende uma palavra do que dizemos. Demoramos duas horas perambulando pela cidade até encontrarmos um vendedor de chá que falava inglês e se propôs, após 2 ou 3 xícaras, a escrever em chinês o nome dos lugares que pretendíamos ir. Agradecemos, compramos um pacote de chá de jasmim e mostramos o papel ao taxista, que nos levou ao mundo das compras chinesas, onde ninguém aceita cartão de crédito e o preço real só aparece depois de meia hora de barganha. Discutir o preço faz parte de um ritual de compra solidamente estabelecido aqui. Mesmo sem entender os idiomas um do outro, trocamos números digitados aos risos nas calculadoras. O vendedor põe o preço dele, a gente põe o nosso, ele põe outro e assim vai até chegar num acordo. A empolgação foi tanta que passamos o dia andando pelos shoppings, praças, becos e nem mesmo paramos para almoçar.
Nos shoppings, o negócio é bem preto no branco, se é original eles dizem, se não é dizem “copy”, avisam o que tem de diferente, uma negociação bem transparente mesmo. Mas Shenzhen impressionou demais pelo contraste, enquanto vendem eletrônicos de última geração, não sabem usar um visa ou mastercard. Quando meu irmão tentou pagar uma compra usando um cartão, veio até gente de outras lojas ver como era. Juntou aquele monte de gente olhando o cartão, vendo como funcionava. Porque apesar de terem a maquininha, eles só usam no Union Pay, que é o cartão local, e na maioria das lojas, nem esperneando eles testam o visa, mas nas poucas que aceitam testar, sempre funciona e é aquele assombro. Vira um acontecimento no shopping.
De lá, voltamos para Hong Kong com uma entrada de visto gasta, para entrar novamente na China, teríamos que pagar 500 dólares em 2 novos vistos. E precisávamos disso para o dia seguinte, pois estavamos com reserva em hotel e vôo marcado pra Shanghai…
Mais sobre Hong Kong
13/10/09
No Brasil, a gente chama a pizza com abacaxi de Califórnia, nos EUA, de Hawaiana, aqui na china, simplesmente de pizza porque parece que tudo que a gente come aqui é meio doce. Até o arroz branco é meio doce. A Sapha e o Anselmo que iriam adorar. Além de adorar tudo meio doce, outra paixão dos chineses é o Michael Bublé (!!!), quase toda loja que eu entrei ontem, tocava alguma música dele, e isso porque eu fui num dos maiores shoppings da Ásia, o Harbour City com 2 milhões de metros quadrados e mais de 700 lojas entre Prada, Chanel, Louis Vuitton e muito mais. Lojas próprias de cada marca com produtos originais e não “olizinais” à preços não surpreendentemente baixos, mas melhores que os de Sampa. Camisas da Tommy Hilfiger entre 60 e 100 reais e vendedoras super simpáticas. Uma experiência muito boa. Amanhã vou pra Shenzhen, uma zona franca do sul da China, na fronteira com Hong Kong. Pra entrar lá precisa de um visto especial válido por 5 dias, que a gente solicita saindo do metrô, e sai na hora. Agora tenho que sair pois são 7 da manhã e já tô acordadão devido à diferença de fuso horário. Vou tomar café na Starbucks e visitar o HKTDC, uma feira de artigos eletrônicos.
Um ablaço pla todos e aloz flito à vontade.
Impressões de Hong Kong
12/10/09
Limpa, organizada e bonita, mas barulhenta e cheira mal… a vista do porto é uma das mais impressionantes que já vi, o povo é hospitaleiro e divertido e a tecnologia se mistura com a tradição de uma forma surreal.
Os semáforos são feitos pra deixar qualoquer um doido. Um aviso sonoro cronometra o tempo que o semáforo fica aberto, então o tempo todo você ouve zumbidos e apitos pra todo lado. A mão nas ruas é inglesa, então você acaba sempre olhando para o lado errado antes de atravessar. Suco minute maid de ervilha verde e cigarro eletrônico que não queima e solta só uma fumaça química.
O metrô é tão cheio quanto o nosso de SP, mas mais bonito e organizado. Um mapa das estações dentro do vagão mostra o trajeto e as baldeações possíveis. E o hamburguer do big mac tem um gosto estranho, parece frito em óleo de sardinha…
Amanhã eu conto mais daqui…