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Stranger in a strange land

Daí que decidimos sair de Hong Kong e cruzar a fronteira para a mainland. Hong Kong é considerada uma área administrativa distinta da China, o que eles chamam de “um país, dois sistemas”, enquanto a mainland compreende toda a parte continental.

Pegamos o metrô em North Point, bem ao lado do hotel, e seguimos até Lo Wu, a estação de trem que dá acesso à Shenzhen. Mais uma alfândega e mais um posto de imigração. Preenche formulário, tira a temperatura e atravessa para o lado comunista da China. É como se a gente tivesse cruzado para outro mundo. Tudo é diferente de Hong Kong, a mão inglesa nas ruas se mistura com a normal, todas as placas sem tradução para o inglês e ninguém entende uma palavra do que dizemos. Demoramos duas horas perambulando pela cidade até encontrarmos um vendedor de chá que falava inglês e se propôs, após 2 ou 3 xícaras, a escrever em chinês o nome dos lugares que pretendíamos ir. Agradecemos, compramos um pacote de chá de jasmim e mostramos o papel ao taxista, que nos levou ao mundo das compras chinesas, onde ninguém aceita cartão de crédito e o preço real só aparece depois de meia hora de barganha. Discutir o preço faz parte de um ritual de compra solidamente estabelecido aqui. Mesmo sem entender os idiomas um do outro, trocamos números digitados aos risos nas calculadoras. O vendedor põe o preço dele, a gente põe o nosso, ele põe outro e assim vai até chegar num acordo. A empolgação foi tanta que passamos o dia andando pelos shoppings, praças, becos e nem mesmo paramos para almoçar.

Nos shoppings, o negócio é bem preto no branco, se é original eles dizem, se não é dizem “copy”, avisam o que tem de diferente, uma negociação bem transparente mesmo. Mas Shenzhen impressionou demais pelo contraste, enquanto vendem eletrônicos de última geração, não sabem usar um visa ou mastercard. Quando meu irmão tentou pagar uma compra usando um cartão, veio até gente de outras lojas ver como era. Juntou aquele monte de gente olhando o cartão, vendo como funcionava. Porque apesar de terem a maquininha, eles só usam no Union Pay, que é o cartão local, e na maioria das lojas, nem esperneando eles testam o visa, mas nas poucas que aceitam testar, sempre funciona e é aquele assombro. Vira um acontecimento no shopping.

De lá, voltamos para Hong Kong com uma entrada de visto gasta, para entrar novamente na China, teríamos que pagar 500 dólares em 2 novos vistos. E precisávamos disso para o dia seguinte, pois estavamos com reserva em hotel e vôo marcado pra Shanghai…

Mais sobre Hong Kong

No Brasil, a gente chama a pizza com abacaxi de Califórnia, nos EUA, de Hawaiana, aqui na china, simplesmente de pizza porque parece que tudo que a gente come aqui é meio doce. Até o arroz branco é meio doce. A Sapha e o Anselmo que iriam adorar. Além de adorar tudo meio doce, outra paixão dos chineses é o Michael Bublé (!!!), quase toda loja que eu entrei ontem, tocava alguma música dele, e isso porque eu fui num dos maiores shoppings da Ásia, o Harbour City com 2 milhões de metros quadrados e mais de 700 lojas entre Prada, Chanel, Louis Vuitton e muito mais. Lojas próprias de cada marca com produtos originais e não “olizinais” à preços não surpreendentemente baixos, mas melhores que os de Sampa. Camisas da Tommy Hilfiger entre 60 e 100 reais e vendedoras super simpáticas. Uma experiência muito boa. Amanhã vou pra Shenzhen, uma zona franca do sul da China, na fronteira com Hong Kong. Pra entrar lá precisa de um visto especial válido por 5 dias, que a gente solicita saindo do metrô, e sai na hora. Agora tenho que sair pois são 7 da manhã e já tô acordadão devido à diferença de fuso horário. Vou tomar café na Starbucks e visitar o HKTDC, uma feira de artigos eletrônicos.

Um ablaço pla todos e aloz flito à vontade.

Impressões de Hong Kong

Limpa, organizada e bonita, mas barulhenta e cheira mal… a vista do porto é uma das mais impressionantes que já vi, o povo é hospitaleiro e divertido e a tecnologia se mistura com a tradição de uma forma surreal.

Os semáforos são feitos pra deixar qualoquer um doido. Um aviso sonoro cronometra o tempo que o semáforo fica aberto, então o tempo todo você ouve zumbidos e apitos pra todo lado. A mão nas ruas é inglesa, então você acaba sempre olhando para o lado errado antes de atravessar. Suco minute maid de ervilha verde e cigarro eletrônico que não queima e solta só uma fumaça química.

O metrô é tão cheio quanto o nosso de SP, mas mais bonito e organizado. Um mapa das estações dentro do vagão mostra o trajeto e as baldeações possíveis. E o hamburguer do big mac tem um gosto estranho, parece frito em óleo de sardinha…

Amanhã eu conto mais daqui…

Shampoo do Jackie Chan

Depois de passar o dia todo no Asia Expo, um pavilhão de exposições aqui de Hong Kong que é cerca de 10x maior que o Anhembi em SP, voltei para o hotel para tirar o terno, a gravata, e as sacolas de catálogos e fui andar pela Java Road e pela King’s Road.

Meu irmão ficou horrorizado ao ver o povo comendo cisne e os bichinhos pendurados nas vitrines. Caranguejo peludo é um dos pratos mais tradicionais da cidade. Outra coisa bizarra é como o Jackie Chan é uma celebridade absoluta aqui. Tem até shampoo dele.  Amanhã vou visitar Harbour City, o maior shopping daqui, com mais de 700 lojas e 2 milhões de metros quadrados de tamanho. Tirando o cheiro esquisito, a cidade é impressionante, muito bonita, limpa e organizada. Tirei algumas fotos e logo vai tudo pro Flickr. Agora vou sair porque hoje janto no McDonald’s, pois o meu irmão ainda está traumatizado com os cisnes defumados…

Salsicha de Peixe

Aí, acabei de chegar em Hong Kong e fui até uma loja de conveniência comprar alguns badulaques locais pra me sentir mais “situado” em relação à cidade. Apesar da diferença de tempo e das longas horas de vôo, até que tá tudo tranquilo. Mas voltando às compras, acabei de comprar uma “salsicha de peixe”, bem típico e bem esquisito. Parece uma salsicha comum, mas estou olhada pra embalagem faz meia hora e ainda não criei coragem pra dar uma mordida. Depois em conto se presta…

Personal Rubem Fonseca

Hoje descobri que tenho um ghost-writer escrevendo minha autobiografia não-autorizada, repleta de detalhes sórdidos e afirmações improvadas. Não sei se forneço material para o livro e aproveito a promessa de fama, se tento desmentir as histórias infames ou se simplesmente reconheço que tal empreitada não atingirá o sucesso.

Enquanto isso, vamos seguindo a vida besta.

Porcaria de Férias ou Férias do Porco?

Finalmente me recuperando das férias forçadas provocadas pela gripe suína, passei uns dias na cama e ainda estou em quarentena, sem sair de casa para não levar o virus para fora e com visitas somente da mamãe e do papai. Nesse meio tempo, me converti à Igreja Universal e encontrei a salvação, agora, com a corrente dos 40 pastores ao meu lado, não preciso nunca mais me preocupar com outro vírus, doença ou fatura de cartão de crédito, porque o pastor me falou que junto com a cura também vem a prosperidade.

Ok, ok, de tudo o que disse até agora, a única coisa que é verdade é a parte da gripe do porco e a quarentena. Pelo menos, minha mãe me trouxe chuleta, batatas-fritas e um escondidinho de carne-seca sensacional. Estou aproveitando esse repouso forçado para me atualizar com os filmes e séries, gibis e outras amostras da cultura pop que alimentam meu reservatório de assuntos para a mesa de bar.

Falando nisso, hora de voltar para a TV… depois faço os mega resumos de tudo o que vi que mereça ser comentado. Saudades de todos…