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A última doninha pelada da Dakota do Norte

Roquenrio e a “reserva de mercado”

Como em todo grande festival anunciado aqui, muito se falou desde que confirmaram a realização desse último Rock in Rio. De um lado, temos aqueles que sempre reclamam de tudo mas na hora, abrem a carteira e pulam como babuínos no show de seus ídolos, de outro lado, aqueles que acham tudo o máximo, mesmo parcelando o pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito com o “apoio” da fininvest ou do banco cacique. Isso descontando os dois grupos minoritários, aqueles que reclamam e não vão e nem assistem pela tv e aqueles que realmente tem grana pra pagar os preços de festival brasileiro sem se preocupar.

Li muitos posts, tweets, status de facebook, todo mundo falando de Rock in Rio, principalmente os que não foram e nem vão, mas o que realmente me motivou a falar também a respeito disso foram duas coisas. A primeira delas, o argumento profissional de gente da área de eventos, inclusive da minha amiga Helen Demuro, a respeito da consolidação da marca, um nome mais forte e vendável que o próprio conteúdo do festival, o que em termos de mercado justifica a falta de respeito com o conteúdo e referência geográfica, já que nem sempre foi no Rio e rock é apenas um dos gêneros contemplados no evento. O outro argumento foi essa coluna do IG (http://colunistas.ig.com.br/playlist/2011/09/24/claudia-leitte-e-o-menor-dos-problemas-do-rock-in-rio/) onde o crítico diz que um dos maiores problemas foi deixar de fora “um nome fundamental da música de hoje: Jay-Z”, além de reclamar da importância diminuida que a música eletrônica teve nesse festival.

Eu não vou mais a festivais aqui desde os finados Hollywood Rock e Monsters of Rock, e principalmente porque considero um absurdo a qualidade do serviço que recebemos em troca dos preços abusivos que pagamos. Qualquer evento aqui custa mais do que em qualquer outro lugar (o show do Michael Bublé, que custa geralmente 45 dólares tanto em Houston, TX, quanto em Gdansk, na Polônia, foi vendido a míseros mil reais aqui em SP e esgotou em 2 dias). Com argumentos como ecletismo das atrações, necessidade de cobrir os custos da meia entrada e outros “diferenciais” que aumentam o valor da produção no Brasil, promotores inflacionam os palcos com a maior diversidade de gêneros no intuito de atingir o maior e mais diverso público simultaneamente. Uma das noites do festival tem na sequência: Marcelo D2, Jota Quest, Ivete Sangalo, Lenny Kravitz e Shakira. O fã de Marcelo D2 provavelmente não é fã de Shakira e vice versa. Um desrespeito para o fã e para o artista, provocando casos como as garrafadas que aquele coqueiro saltitante recebeu alguns anos atrás. Colocar Ke$ha junto com Stevie Wonder é no mínimo surreal.

Aí, sempre aparecem aqueles pseudonacionalistas de plantão com o discurso de valorizar a produção nacional, ou, nas palavras deles mesmos: “com tanto artista bom aqui, ninguém valoriza, mas qualquer merda que vem dos ~estadunidos~ todo mundo bate palma”. Gente com mentalidade de reserva de mercado, que não percebe que o ano todo tem shows dos artistas brasileiros por todo o Brasil, aí depois esse mesmo pessoal critica os americanos por “viverem num mundo só deles e ignorarem a cultura de outros países”. Pra esses brasileiros soviéticos, eu só desejo que sigam o que pregam em todos os aspectos, e não somente nos shows. Como os russos andavam de Lada, que promovam a volta do Gurgel, só bebam Dolly, troquem suas TVs Samsung, LG ou Sony por CCE e Cineral.

E quanto aos outros show no Brasil, ouvi dizer que no da Rihanna aqui em SP, na última hora estavam abrindo as pernas pro pessoal entrar com ingressos a preço de banana, e mesmo assim estava quase vazio. Lembro quando começaram as vendas que o ingresso mais barato não saía por menos de 300 reais. Se o público começar a valorizar mais seu dinheiro e isso acontecer mais vezes, talvez a qualidade dos serviços melhore e os preços também, mas enquanto tiver quem pague, vamos ter festivais de rock com axé e samba, festivais de mpb com sertanejo e funk, festivais de jazz com rap e música eletrônica e festivais de música eletrônica com pagode e marchinhas de carnaval.

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  1. Rock in Rio in Lisboa in Madrid?! Alguém aí sabe me dizer porque continuaram com o nome...

Pitacos

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  1. Helenzao says: 25/09/2011

    Excelente observação! Concordo em genero e grau por ser profissional da area com ganas de mudar essa realidade e tb por ser amante de musica, especialmente o rock n roll! Com o BRasil se destacando no cenario mundial quem sabe a coisa toda nao mude ate a Copa ou depois dela pelo menos…

  2. Ricz says: 28/09/2011

    E sobre a mistura de gêneros, eu penso que se você é vegetariano e anunciam um festival vegetariano, você vai lá e servem “um pouquinho de picanha” pra atender a um público mais diverso.. vc tem direito de achar ruim… Mas não, se vc reclamar é preconceituoso…

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