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A última doninha pelada da Dakota do Norte

Overrated 2001

E o casal fica cerca de 20 minutos olhando para uma pá enterrada num monte de areia numa das alas do museu. Discutem a “profundidade filosófica da crítica proposta pelo artista que usa a metáfora do processo da construção” e blablablá até que chegam 2 funcionários do museu e colocam a placa de “desculpem o transtorno, estamos em reforma”.

Esses dias, estava conversando com o Raul e lembrando de alguns filmes como o ultra hiper mega aclamado 2001: Uma Odisséia no Espaço – “obra máxima de Kubrick”, que  é longo, lento, confuso e sem muito sentido, mas visto por muitos críticos como um dos melhores filmes da história do cinema.

Sem diminuir nenhuma das qualidades do filme, como o rigor científico ou os efeitos especiais primorosos e toda a excelência técnica, imagino quantos não entenderam nada ou acharam chatíssimo. Quantos não associaram as diferentes “partes” do filme, mas ficaram com vergonha ou medo de serem considerados ignorantes?

Confesso que a parte do filme que eu gosto é justamente a mais fácil de se compreender, que é a “Missão Júpiter: 18 meses depois”, com o HAL enlouquecendo e a batalha do David para “reiniciar o sistema”, as outras partes, mesmo com todo o perfeccionismo técnico, não me arrebataram.

O começo com a macacada pulando ao som de “assim falou zaratustra” poderia ter 10 minutos e não perderia nada do sentido, mas como li em uma crítica profissional, a lentidão é proposital e coreografada filosoficamente para atingir o seu subconsciente. (uma observação: não consigo ver essa cena sem esperar que o osso se transforme num fogão continental 2001).

Mas longe de comentar cada trecho do filme ou de propor uma discussão sobre a arte e sua subjetividade, eu estava aqui pensando na roleta russa que é para um filme virar cult ou ser totalmente rejeitado pela crítica e pelo público. Nem sempre dá pra ter certeza se houve genialidade ou se o diretor ou o roteirista estavam simplesmente tirando uma com a nossa cara. É como quando Duchamp mandou um mictório para uma exposição de arte (o que eu, pessoalmente, considero uma atitude genial e uma crítica mordaz).

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