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A última doninha pelada da Dakota do Norte

Ser “cult” ou, o guia do metido a besta

Todo mundo conhece alguém que é metido a “cult”, “alternativo” ou outro título do tipo. O tempo passa e os títulos mudam, mas o comportamento metido a besta geralmente permanece o mesmo. Geralmente envolve gostar de algo obscuro e “inacessível” ao grande público, e logo quando o objeto de adoração cai no gosto geral e vira moda, passar a dizer que “se tornou comercial”, “se vendeu para o sistema” ou algo que o valha.

Nesse contexto, o importante mesmo é citar, com ar blasé, algo que os outros farão cara de “uatarrel?”, para em seguida explicar com propriedade o que torna aquilo único e especial. Vale pra filmes, livros, música e aquele “lugarzinho” exclusivo. O lugarzinho é um caso à parte, um bar “muqueado” em algum canto da Barra Funda ou da periferia de Londres, que ninguém conhece, mas que tem uma atmosfera particular cheia de magia e exclusividade. A localização do lugarzinho é revelada em tom de segredo conspiratório, como se fosse a maçonaria dos cult, e depois de alguma insistência, quando a turma toda vai conhecer o local, é o boteco mais fuleiro, frequentado pelo povo mais esquisito e tocando as músicas mais bisonhas. Aí, o amigo “cult” diz: Que droga, estragaram o lugar, agora tem vindo gente que não tem nada a ver com a proposta do ambiente.

Outro detalhe importantíssimo é falar mal de qualquer filme de muito sucesso. Esse tipo de filme sempre é um insulto à inteligência (não sei de quem) e é muito melhor e mais cultural acompanhar o circuito alternativo no Espaço Unibancool da Augusta. Esse é o momento para lembrar daquele filme iraniano onde duas garotinhas sentadas num tapete no meio do deserto passam duas horas rolando uma pedra de uma para a outra, enquanto ao fundo é cantada uma poesia em árabe. É importante também comparar com os grandes monstros do cinema francês, falar de Kurosawa e apontar que “há talentos promissores despontando na cena boliviana”.

O modo de vestir também vai dizer muito sobre você. Crocs nos pés, calça de grife cuidadosamente produzida para parecer que é usada desde o século passado, contrastando com camisetas compradas nas lojas de marcas descoladas de novos estilistas despontando no mercado, com dizeres engraçadinhos, sátiras de marcas de consumo ou de símbolos da cultura pop e uns bordados enormes ou coisas brilhantes coladas assimetricamente.

A comida japonesa é o hours concours do seu estilo. É fundamental dizer que “descobriu um japonês fantástico” e mesmo que você não suporte peixe, o sushi de lá é insuperável.

O mais importante, não se prenda à nomes já consagrados no cliché de “cult”. Não basta dizer Bauhaus, Belle & Sebastian, Espaço Unibanco. Não basta dizer que Radiohead fala diretamente à sua alma, o importante mesmo é ser do contra, seguir em busca da música que ninguém ouve, dos filmes que ninguém vê e mesmo não gostando de nada disso, convencer a todos que você acha melhor do que as coisas que eles curtem.

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Pitacos

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  1. Fábio Buchecha says: 10/08/2010

    Esqueceu de dizer que o PROFESSIONAL Metido a Besta tem que estar presente em toda e qualquer vernisage e apreciar pessoas rolando sobre vidro quebrado.

  2. Rafael I. says: 10/08/2010

    A última vez que ouvi alguém falar que “descobriu um japonês fantástico”, os cavaleiros do zodíaco viraram febre no Brasil!

  3. marcelo says: 10/08/2010

    blarg.. pior é ter que aguentar gente assim mto proxima da gente né? ahuhuaahuahu #horror

  4. Brisa says: 11/08/2010

    Gostei demais deste guia!!! A cada dia que passa encontramos com mais gente assim. Seria “geração espontânea”? Kkkkkkkk!

  5. Borges says: 19/08/2010

    “Hours Concours”?

    E seu texto é lugar comum, me desculpe. Só fala o que um monte de gente abaixo da média já disse :)

    Além disso, tentar usar termos que você sequer conhece a escrita é mancada. Se liga aí e tenta melhorar nos temas. Abraço!

  6. Ricz says: 19/08/2010

    Amigão fluente em francês, corrigir um erro que seja de digitação ou ortografia não é argumentar, é desviar a atenção do assunto principal e tentar desacreditar o interlocutor atribuindo a ele algum grau de ignorância.

    Segundo, que eu saiba, o texto está num blog, um site pessoal, e não concorrendo na categoria “originalidade” do concurso da revista Bravo, por isso, lugar comum é a padaria onde tomo café todo dia, ok?

    Além de apontar um erro em uma palavra do texto, o senhor “acima da média” não disse nada que fosse digno de nota ou de contra argumentação e, só pra constar, pelo que notei no seu link, você é o cara que eu tô descrevendo aqui!!

    Só concluindo, quem tem telhado de vidro, né? Caro socialbsidemusic.blogspot.com, pelo menos eu escrevo no meu blog, não me resumo a fazer uma coleção de links de download sem ao menos uma notinha escrita com minha opinião ou alguma informação. Aliás… os links que vc tem ali são justamente para essas bandas que quando mais de 100 pessoas conhecem, os “cult” dizem que virou “comercial” e abandonam, né??

  7. Borges says: 19/08/2010

    Fica calmo, igual ao seu blog tem um monte por aí. Iguais ao meu também e eu não tô bravo, tá vendo?

  8. Ricz says: 19/08/2010

    Tranquilo… não ligo se alguém não gostar do que escrevo, gosto da polêmica….
    Mas espero argumentos nas críticas pra poder discutir e não um “você escreveu plástico sem acento”.

  9. Borges says: 19/08/2010

    Claro, é normal. A Internet me dá voz, só isso. A forma como eu vou usá-la é que vai variar de acordo com minha preguiça e do meu tempo disponível. Fica bem, não queria te ofender :)

  10. Ricz says: 19/08/2010

    Opa! Tranquilo… não ofendeu não :)

  11. Raul says: 19/08/2010

    Post suspeito para alguém que toma cerveja com o pessoal do B&S

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