A última doninha pelada da Dakota do Norte
Flatmate: O efeito Chandler e Joey
Beto é um amigo de infância, praticamente um irmão. Há quase 3 anos, apareceu na minha casa de mala e cuia, e bem vindo que era, chegou para ficar. A casa mudou e o Beto ficou, e nesses anos fomos aprendendo a conviver, dividir tarefas, quebrar o pau e viver momentos nonsense.
O Beto aprendeu a cozinhar e virou uma Dona Benta, pegando receitas no site da Ana Maria Braga. Eu aprendi a passar roupas e pelo menos uma vez por mês, devasto o Everest de roupas e a gente tem algo desamassado para vestir.
Uma ou outra noite, entramos numa discussão existencial, sentados na varanda com umas latinhas de cerveja e assuntos polêmicos e no outro dia fica difícil levantar para trabalhar. Geralmente eu reclamo que apesar de ter uma sapateira no quarto dele, os tênis, sapatos e chinelos ficam jogados pela casa. Geralmente ele reclama que quando eu saio do banho, deixo minha roupa suja jogada no chão do banheiro.
E numa mistura de tudo isso, nesse fim de semana no Metrô, tivemos uma conversa que foi mais ou menos assim:
- Ricz, você viu que horas são?
- Vi sim, por que?
- Porque a gente tinha que encontrar o Raul no bar há uma hora.
- É, se você não tivesse demorado uma hora para comprar calcinhas para sua namorada, a gente chegava na hora.
- Se você tivesse levantado antes do meio dia, a gente chegava na hora.
- Porra, Beto, você anda pegando muito no meu pé.
- Como assim?
- Minha mãe reclamava assim quando eu morava com ela. Você dorme demais, você está atrasado, etc.
- Claro, você nunca acha que tá errado. Você tá sempre certo.
- Isso não é verdade, tem 2 coisas. Primeiro, eu reconheço quando estou errado. Por exemplo, quando você reclama que eu deixo cueca no chão do banheiro, eu reconheço que esqueci e peço desculpas. Segundo, quem tiver ouvindo esse papo vai pensar que somos um casal e acho isso constrangedor…
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