Turismo radiante
Desde que comecei a estudar russo, me cadastrei em alguns sites lá da terrinha e tenho recebido umas coisas um pouco diferentes dos spams tradicionais. Uma das coisas mais interessantes que notei é que existem 3 ou 4 empresas que oferecem hoje visitas regulares às instalações de Chernobyl. Pra quem não se lembra, em abril de 1986, a Ucrânia sediou o maior acidente nuclear da história, único a atingir o nível 7 na Escala Internacional de Eventos Nucleares. E apesar da URSS, na época, tentar ocultar o fato, quando as nuvens radiotivas começaram a chover nos países vizinhos, o mundo acabou descobrindo o acontecido.
Após muitos anos de mutação e tumores, algumas empresas de turismo resolveram que os destroços dos reatores e a cidade fantasma de Pripyat despertariam curiosidade suficiente para se tornarem alvo de excursões períodicas, e, sou obrigado a confessar que sou um dos que sentem uma certa curiosidade mórbida pelo local.
Por apenas US$ 500.00, você pode chegar à 100m do reator que explodiu, visitar a cidade fantasma e conversar com os “resettlers”, pessoas que resolveram voltar a viver próximos ao local após a evacuação oficial.
Um dos maiores atrações para os primeiros grupos foi visitar o “cemitério de veículos”, onde ônibus escolares e helicópteros militares “irradiados” conviviam pacificamente. Eu só imagino a cara de quem fez esse trecho nas excursões anteriores e ao entrar hoje no site da “Tour Kiev“, se depara com o aviso de que “o acesso à esta área foi terminantemente proibido pelo governo a partir de abril de 2008, devido aos níveis de radiação oferecerem riscos para a saúde humana”.
Pelo menos tem brinde: um contador Geiger para cada participante, e você ainda faz um “Curso de sobrevivência em áreas de destruição radioativa”, tudo incluso no pacote!
(Visitantes passam pelo detector de radiação da usina de Chernobyl)
Para saber mais: www.tourkiev.com
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