É fato que de tempos em tempos, as gírias mudam e adjetivos que eram “uma brasa” acabam ficando offline. Apesar do idioma ser algo vivo e aparentemente ilimitado, de vez em quando tenho a impressão que existem certos limites, e eventos como a “Era do Axé”, vivida entre o fim dos 90 e o começo dos “00″ são situações onde esses limites se mostram próximos, pairando sobre as pessoas como uma eterna Dercy Gonçalves sobre os palcos dos auditórios de tv.

Em tempos de axé, a música popular parecia a igreja católica (que tem desde a padroeira do Brasil até a santa padroeira da sandália de tachinhas), tinha uma dança “padroeira” para cada bicho, evento, pessoa ou manifestação. Dança da garrafa, dança da latinha, dança da lapiseira 0-5. Seguidas pelas mulheres-fetiche, tiazinha, feiticeira, ninja do funk. Todas as fantasias devidamente representadas.

Até aí, tudo bem, tranquilo, normal… manifestações populares. Agora, o que tá me deixando confuso é a salada de frutas que inventaram de fazer agora, com mulher melancia, mulher jaca, mulher uva. Pra mim, mulher fruta era Marília Pera, male, male, uma Dani Bananinha.

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