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A última doninha pelada da Dakota do Norte

O telemarketing e a vida triste

Não gosto de parecer preconceituoso, mas pra mim, o telemarketing é uma das piores profissões que existem, tanto para quem a exerce quanto para quem é vítima de suas ações.

Sábado, 8 da manhã, sou acordado com a fantástica oferta de uma assinatura do Estadão. 6 meses por R$1,65/dia. O jornal é bom, o preço é bom, mas as 8 da manhã de sábado eu não consigo raciocinar o suficiente nem para me localizar em relação ao universo da minha cama.

Horas depois, realmente acordado, penso no que poderia levar alguém a imaginar que seja uma boa idéia ligar para alguém no fim de semana, antes das 9 da manhã, oferecendo alguma oferta de compra.

Tento me colocar no lugar do coitado que tem por meta converter essas ligações em vendas. Não dá pra estimar a porcentagem de pessoas que sugeriram enfiar o jornal num lugar onde o sol não bate.
O desgraçado acordou mais cedo que eu para enfrentar uma jornada de ligações iguais, tentando, um após o outro e terminando o dia com quase um ano de jornais na fila para serem enfiados naquele lugar, segundo a sugestão de muitos que receberam sua cordial ligação e sua tentadora oferta.

É uma vida triste. Acho que tentarei criar, em algum canto obscuro e esquecido da minha mente, uma pequena reserva de compaixão para esses soldados do caos, os pobres operadores de telemarketing, que ganham mal para tentar tornar sua vida chata e irritante.

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