Zumbis, mais zumbis
Minha paixão pelo cinema de terror é um caso antigo, uma amante declarada e sempre presente. Desde os primeiros “Sexta-feira 13″ aos 12 anos, passando pelo “gore” de Dario Argento até os obscuros vietnamitas que ultimamente tem ganho espaço aproveitando o vácuo dos “Gritos”, “Chamados” e outros sustos do oriente, procuro saber, assistir, acompanhar tudo o que é feito neste que é considerado por muitos um gênero menor.
Entre espíritos, vampiros, monstros e lobisomens, pra mim, nenhuma criatura “das trevas” nos mostra mais a respeito de nós mesmos que os zumbis. Não aqueles do vodu haitiano, mas os “filhos” de George Romero, na sua incrível trilogia de quatro filmes “dos mortos”.
(intervalo) Acho que até agora já usei mais aspas que em todos os meus “posts” anteriores. (fim do intervalo)
Tudo que foi feito em termos de mortos-vivos e muito da linguagem e da estética do terror que vemos hoje teve sua origem na “Noite dos Mortos Vivos”, de 1968. Um filme em preto e branco, de baixo orçamento, que impressiona pela crueza de recursos e pela inventividade do roteiro para superar essa crueza.
Um filme de zumbi é mais que gente morta comendo gente viva. É uma crítica social. Em “Noite”, vemos os grupos de extermínio de zumbis, o que lembra bastante uma versão “aprovada” de grupos como os skinheads ou a KKK. Madrugada dos Mortos aborda o consumismo desenfreado. E a desigualdade entre as classes é o pilar de “Terra dos Mortos”. Mas pra mim, independente de tudo isso, mesmo se os roteiros fossem uma droga, zombie rules!
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