E-clips
Acho que sou uma pessoa insensível. Ou o resto do mundo se impressiona muito facilmente com qualquer bobagem.
Desde a decepção com o cometa Halley, fenômenos astronômicos nunca mais conseguiram arrebatar minha atenção. É uma expectativa, uma comoção. Todos olhando para o céu, o sol fica preto, ou a lua fica preta. Vira matéria no jornal. Cientistas calculam quanto tempo até o próximo fenômeno e eu não consigo enxergar mais do que umas bolinhas mudando de cor lá no alto.
Isso quando o tal acontecimento é visível à olho nú. Lembro bem da minha infância, todo tipo de produto em intermináveis franquias do Halley, de revistas em quadrinhos à garrafas térmicas. Peça para o papai e a mamãe torrarem muito dinheiro comprando todo tipo de bobagem que a gente empurra para as crianças e ainda disfarça como científico e instrutivo.
No fim da história, todo mundo olhou para cima e viu um risquinho besta, branco, causando muito menos espanto que a mais simples das acrobacias da esquadrilha da fumaça.
É, pra que o negócio ficasse bom mesmo, os eclipses deveriam ser produzidos pelo Michael Bay. Aliás, bem que ele poderia fazer um remake da passagem do Halley, porque se o fenômeno for igual o da última vez, com certeza não vale a pena esperar 76 anos pela reprise.
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